O "minha jangada vai sair pro mar", como já dizia Dorival Caymmi em uma de suas mais conhecidas músicas, provavelmente era pensado diariamente por Manuel Olímpio Meira, mais conhecido por seu apelido "Jacaré".

Porém, em 14 de setembro de 1941, Jacaré e mais três companheiros saem da Praia de Iracema, não para trabalhar, mas para fazer um percurso desde o Ceará até o Rio de Janeiro com a finalidade de reivindicar direitos trabalhistas ao presidente Getúlio Vargas para os jangadeiros.

Ao longo da viagem, porém, Jacaré era recebido nos Yatch Clubs das cidades litorâneas e até honrado pelos seus membros que, na verdade, nada queriam com a real causa do protesto, mas sim angariar forças de protesto também, só que para seus interesses.

Dada essa iniciativa do jangadeiro e a repercussão que teve no país, quando chegou ao Rio de Janeiro, foi recebido pela multidão e a multidão o acompanhou em um cortejo até o Palácio do Catete, onde Vargas o esperava e, o que era pra ser somente uma concessão de direitos e um breve discurso virou um incrível discurso de protesto por parte de Manuel Olímpio Meira, que não só ficava inconformado com a falta de direitos trabalhistas aos jangadeiros, mas também ao quantitativo de peixes que se devia ao dono da jangada e a outras tantas questões de condição de vida dos jangadeiros. Então Vargas incorporou sua classe na dos trabalhadores navais, assim recebendo também os direitos trabalhistas e suas garantias.

Após voltar para o Ceará via avião, como providenciou o governo, foi feita uma proposta de um filme a Jacaré por Orson Welles, querendo imortalizar o seu feito em forma de filme. O jangadeiro aceitou e começaram as filmagens no Rio de Janeiro. Porém, infelizmente, o mar estava muito bravo em determinado dia programado para gravação de uma cena no mar, e Manuel acabou se afogando tendo seu corpo nunca sido encontrado. Há quem diga que o mesmo não conseguiu nadar por uma fratura ao bater na jangada no ato da encenação, mas isso nunca pôde ser provado pela falta do corpo.

Por fim, este post tem como finalidade não só homenagear Manuel Olímpio Meira, intrépido em fazer tal circuito naval para reivindicar seus direitos trabalhistas, mas também é em homenagem a todos os trabalhadores do mar, militares ou civis, que diariamente se arriscam em águas profundas, tanto para trazer aliemntos quanto para garantir segurança.

Abaixo, segue o vídeo da "Suíte do Pescador", mais conhecida como "Minha jangada vai sair pro mar", que faria parte do filme elaborado por Orson Welles:




Fontes: 
NEVES, B. A. C. Jangadeiros: uma corajosa jornada em busca de direitos no Estado Novo. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
Imagens:
à esquerda, a jangada na chegada ao Rio de Janeiro, sendo rebocada para o pier; à direita uma foto tirada de Manuel Olímpio Meira.

Créditos das imagens:

http://www.popa.com.br/
http://www.fortalezanobre.com.br/

Luis Felipe Hammes de Mello Campos
Graduando em História pela Universidade Federal Fluminense