Primeira Autobahn construída na Alemanha, entre Colônia e Bona (construção iniciada em 1929 e terminada em 1932)
(Reprodução: www.dw.de)
A respeito das pistas de altíssima velocidade (ou até sem limite) na Alemanha, chamadas Autobahns, diretamente sua origem é, geralmente, associada ao Terceiro Reich e ao crescimento astronômico na construção dessas vias de alta velocidade dentro do território alemão durante as décadas de 1930 e 1940. Porém, por mais que esses pensamentos, oriundos de publicações tendenciosas para o lado de que o Nazismo teria desenvolvido a Autobahn tal como ela se desenvolveu até hoje é um MITO, visto que o projeto de autobahns já datava da década de 1920, na República de Weimar (1919-1933). Pelas ocasiões do Pós-Guerra, a industrialização alemã teve de recomeçar bem aos poucos, assim como as construções de uma autobahn demoraria muito mais pra ser completada, tanto por escassa mão-de-obra (dados o morticínio da guerra anterior e a mão-de-obra não forçada, como veremos durante o governo nazista) quanto por baixa tecnologia pra rapidez de construção.
Cerimônia de início da construção da autobahn (autoestrada, em alemão) ligando Darmstadt a Mannheim em setembro de 1933, quando Hitler, em um ato simbólico, cava junto com um trabalhador partidário.
(Reprodução: www.theautomotiveindia.com)
Pois, então, chegamos a 1933, quando a figura de Adolf Hitler chega ao poder e, em um Estado extremamente autoritário, desde sua posse, em janeiro de 1933, cria um dos campos de concentração para judeus e adversários políticos em Dachau, bem pertinho de Munique, o centro nazista. Assim como este campo de prisioneiros, foram surgindo outros em uma velocidade estonteante, já que as leis promulgadas em um Estado autocrático começavam a incriminar as pessoas de várias formas, inclusive associando antissemitismo. O resultado foi a proliferação de vários campos de concentração que, a partir de um determinado momento, pararam de servir só como reclusão para presos políticos, judeus, gays e qualquer outro que fosse considerado inimigo do Estado. 

Em uma extrema tentativa de conotar poder bélico, tecnologia e desenvolvimento, a foto do LZ 129 (Hindemburg) sobrevoando uma autobahn próxima de Frankfurt, deixando à mostra um ônibus moderno trafegando por ela e até um hangar onde, supostamente, se guardaria zepelins. (Reprodução: oldhistoricphotos.com)
Propaganda nazista

sobre as velocidade
das Reichsbanhs.
(Reprodução: time-az.com)
Tão rápido quanto o desenvolvimento tecnológico crescia  pela Alemanha, tendo o estado autocrático como impulsor e as fábricas privadas se aliando ao Estado e ao Partido Nazista, formavam-se nuvens de guerra, assim como na guerra anterior, Alemanha começava a tomar ponta em várias questões territoriais e, agora, tinha um elemento chave para fazer de suas movimentações mais rápidas e efetivas contra o inimigo (tal como a Blitzkrieg), tendo a autobahn para movimentar suas altamente preparadas tropas e divisões de tanques.
Uma das autobahns mais vislumbradas como esforço de guerra, que já tinha seu início após o início do regime nazista e tentaria levar a Alemanha aos campos de petróleo de Baku, no Oiente Médio, ligação essa sendo deixada de lado com o fracasso das tropas da Wehrmacht na sua campanha em atravessar as montanhas do Cáucaso e conquistar tais campos de petróleo.
(Reprodução: www.taringa.net)
Assim, como em um esforço prévio de guerra, as autobahns não eram só um progresso para o país se conectar, mas a certeza de que suas divisões de infantaria blindada (tanques), motorizada e tropas de infantaria avançariam com facilidade de um lado a outro da Alemanha, assim como a rápida construção de fábricas para fins bélicos em regiões distintas da Alemanha, só por ter uma autobahn que fizesse carregar rápido o material e ter, nos campos de concentração, um excesso de mão-de-obra que trabalhava em um ritmo alucinante, criando a falsa visão de que "Autobahn é coisa que surgiu com o Nazismo".

Fontes: 
VAHRENKAMP, R. The German Autobahn 1920-1945: Hafraba Visions and Mega Projects.
   Colônia: Josef Eul, 2010.

HAROLD. M. Legacies of Dachau: The Uses and Abuses of a Concentration Camp, 1933-2001.
    Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

GUDERIAN. H. Achtung - Panzer! London: Cassell Military Paperbacks, 1999.


Luis Felipe Hammes de Mello Campos
Graduando em História pela Universidade Federal Fluminense