Tendo a Primeira Grande Guerra como marco da conquista dos ares pelo meio militar, visto que “homens morriam no ar como morriam na terra e no mar, matando uns aos outros. A conquista do ar foi realmente completada" (René Chambe - No Tempo das Carabinas), era de se pressupor que em um próximo conflito bélico, esse meio de fazer guerra pelo ar seria mais devastador ainda. Assim sendo, começaram a se desenvolver tecnologias tanto de aprimoramento aeronáutico para ataque quanto para defesa, que é o tema a ser abordado a seguir.
Começando pelos britânicos, esses construíram um projeto chamado Espelhos Acústicos. Estes "espelhos" consistiam em estruturas altas com uma concavidade que reunia os ruídos do céu e refletiria a um determinado ouvinte ou microfone, que já deixaria os militares em alerta, apesar de que esses Espelhos Acústicos eram imóveis, de concreto, limitando a operacionalidade dos mesmos.

Espelhos Acústicos na Grã-Bretanha, de diversos formatos, mas todos com a mesma propriedade da concavidade.


No caso do Japão, as Tubas de Guerra, como eram chamados esses equipamentos, eram utilizadas no início da Segunda Guerra Mundial com a finalidade de alertar sobre aproximações aéreas, com essas grandes tubas captando todo e qualquer tipo de vibração sonora, dando atenção aos ruídos de motores e de hélices.
As Tubas de Guerra japonesas, provavelmente sob inspeção de oficiais. Percebe-se as rodas na base das Tubas para fins de movimentação durante a captação, facilitando a precisão da direção e do sentido da trajetória da aeronave inimiga.
O dispositivo era capaz de captar o ruído dos motores das aeronaves inimigas precisando, inclusive, a direção, fazendo com que a defesa antiaérea se preparasse de forma adequada para combater.
Posteriormente, se tornou obsoleto frente à tecnologia do radar.

Apesar de captar bem o som, um dos principais problemas era que o som emitido pelo motor do avião, por causa da altitude, parecia se originar de todos os cantos, quando o ouvinte estava no chão. Mesmo assim, técnicas foram aprimoradas a fim de dar mobilidade às Tubas para que o operador as movimentasse em para localizar de onde vinha o ruído com mais intensidade. Para melhorar a detecção, e até o reconhecimento da aeronave pelo ruído de máquina, era normal colocar microfones na saída da tuba pra amplificar o som e o deixar mais detalhado.

Vale lembrar que outros meios de detecção acústica existiam, tais como os Microfones Parabólicos, que eram equipados facilmente por um soldado, com muito menos custo, porém, com menos precisão. Esses Microfones Parabólicos eram utilizados em grande escala nos fronts, não só como prevenção de ataques aéreos, mas também de mobilizações terrestres, visto que os motores dos tanques faziam um ruído considerável e os mesmos pesavam por volta de 30 toneladas, por vezes, fazendo com que esses microfones identificassem a movimentação.


Um Detector Parabólico, planejado pela Siemens (empresa alemã) de uso pessoal sendo usado por um alemão civil. A Guerra já não era só negócio com o Estado, mas também com a população civil.

Bibliografia: SCARTH, Richard N. Echoes from the Sky: A Story of Acoustic Defence. Hythe Civic Society, 1999.
PASTERNAK. Douglas. "Wonder Weapons". Washington: US News & World Report, July 7, 1997.
CHAMBE, Rene. No Tempo das Carabinas. Campinas: Ed. Flamboyant, 1961.




Luis Felipe Hammes de Mello Campos
Graduando em História pela Universidade Federal Fluminense