Ilustração de um dos "Cães de Pavlov" indo em direção a um Panzer IV
Tendo em vista as tão revolucionárias pesquisas, com cães, de Reflexo Condicionado feitas pelo cientista russo Ivan Pavlov, no calor do momento, em especial durante os esforços colossais para a defesa russa de Stalingrado, em 1941, aparecem em cena técnicas para se abater veículos blindados nada comuns.


Ivan Pavlov e um cão sendo testado
em um laboratório com os devidos
equipamentos.
Visto que Pavlov estudava o comportamento dos cães, suas reações em diferentes situações e no laboratório, a domesticação do mesmo para diferentes fins foi muito pensada pelo Exército Vermelho, que estava sob extrema pressão na ofensiva alemã em Stalingrado. Mas só a domesticação não daria conta de ajudar contra os alemães, pois não eram somente soldados, eram, também, os tanques (Panzers, em maioria) que avançavam sobre o território russo.



Esquema mostrando como funcionava a alavanca ativadora dos explosivos
Então, associado ao adestramento, tem-se o desenvolvimento de um mecanismo de ativação de explosivos. O processo se dava por treinar cães famintos para buscar carne em veículos sobre esteiras (tanques). O ponto é que esses cães tinham, alocadas em suas costas, alavancas de ativação dos explosivos, para que quando eles entrassem debaixo do tanque em busca de carne, a alavanca ativasse a carga de explosivos e neutralizasse o tanque.

Cão indo em direção a um tanque T-34 (russo), provavelmente em um treino para avaliar a efetividade do experimento ou em um treinamento, com o cão carregando a alavanca sem explosivos.
Um pequeno desvio foi observado pelo fato de que os tanques russos (os T-34, em maioria) utilizavam diesel como combustível, diferente dos panzers alemães, que utilizavam gasolina. Essa diferença de odor, por vezes, causou confusão nos cães, visto que além do cheiro ser diferente na entrada do tanque (tendo em vista o faro apurado dos cães), era diferente também no escapamento.

Mas a busca por carne nos tanques seguia uniforme, os cães corriam para debaixo do tanque em busca de alimento e, ao entrarem entre as esteiras, a alavanca dobrava e explodia tanto o cão quanto o blindado (as cargas de explosivos eram altas, para dar conta de tanques com blindagens fortes).

Soldados russos com seus "cães anti-tanques"
Por fim, temos um outro agente na defesa da Invasão de Stalingrado que não falava russo, não usava rifles e sequer tinha instrução ou era calibrado, simplesmente era adestrado, teve um mecanismo acoplado a si e agia simplesmente pelo instinto. Essa ação não rendeu tantas vitórias sobre tanques alemães quanto se esperava, tal como desperta repulsa pelas pessoas que gostam de cães, que, hoje, são recomendados como companhias para efeito terapêutico e até servem de guia para deficientes.




P.S.: o comandante das forças de defesa soviéticas da Invasão de Stalingrado para impedir a entrada dos alemães era um general soviético nascido na Criméia, Nikita Kruschev, o mesmo que viria suceder Stalin no comando da URSS.


Bibliografia:
BOAKES, R. From Darwin to behaviourism. Cambridge: Cambridge University Press, 1984.
ASRATYAN, E. A. I.P. Pavlov: His Life and Work. Moscow: Foreign Languages Publishing House, 1953.
ZALOGA, S. J.; KINNEAR J.; AKSENOV A. & KOSHCHATSEV A. Soviet Tanks in Combat 1941–45: The T-28,     T-34, T-34-85, and T-44 Medium Tanks. Hong Kong: Concord Publication, 1997.
TAUBMAN, W. Khrushchev: The Man and His Era. New York: W. W. Norton & Company, 2004.




Luis Felipe Hammes de Mello Campos
Graduando em História pela Universidade Federal Fluminense