Bem no começo da aviação militar, Manfred von Richthofen, um prussiano filho de grandes proprietários de terras na Silésia, com forte personalidade e insaciável espírito de atividade, se tornaria um dos maiores ícones da aviação, tal como James McCudden, Oswald Boelcke, Max Immelmann e Georges Guynemer, que nunca serão esquecidos como pioneiros da Aviação de Caça. Porém, a audácia e os métodos de Manfred, posteriormente chamado de “Barão Vermelho” pela cor de seu avião, o tornariam o ás dos ases nas origens Aviação de Caça.

Manfred aos 20 anos de idade, em 1912,
recém admitido no Corpo de Cavalaria.
(Reprodução: spiegel.de)
Manfred von Richthofen havia ingressado no corpo de cadetes prussianos aos 11 anos de idade e, à altura da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), era um tenente da cavalaria e foi designado para atuar no front leste com uma das funções mais importantes da cavalaria na época: missões de reconhecimento. Porém, com o advento do reconhecimento pela aviação, sua função se tornou menos efetiva, fazendo com que o já insatisfeito tenente recebesse missões simples, sendo remanejado para outras funções que sequer envolviam o atrito e o combate pelos quais Manfred tinha tanta aspiração.
Manfred em 1914, como oficial de Cavalaria no front oeste.
(Reprodução: sfischerarts.com)




Depois foi transferido para o oeste, onde ficou em relativa calma, na retaguarda. Tendo em vista seu temperamento, era de se esperar a insatisfação pela falta de atividade, o que o levou a escrever uma carta a seu superior que, pedindo transferência para uma unidade aérea, constava em um trecho de sua carta: “Eu não vim para a guerra para apanhar queijos e ovos.”.


Oswald Boelcke, em 1915.
Ao ingressar na aviação, teve breve treinamento e começou como observador (que era um posto tido com mais status do que o próprio piloto, considerado um mero chofer), o que apesar de dar certa satisfação pelas horas a bordo do avião, ainda o deixava descontente. Assim, queixando-se novamente, enfim começou sua carreira de aviador no ocidente, sendo habilitado como piloto no Natal de 1915.

No ano seguinte, durante a Batalha de Verdun, teve sua primeira vitória como abatedor aéreo e entrou na lista do então maior ícone da aviação alemã, Oswald Boelcke, que reconheceu as proezas do jovem piloto e o recrutou para o seu renomado esquadrão, o Jasta 2.

Três biplanos Albatros D.I pertencentes ao Jasta 2, o esquadrão de Oswald Boelcke, decolando de Bertincourt, na França, em 17 de setembro de 1916. (Reprodução: flyingmachines.ru)
Tendo o costume de guardar um pedaço do avião que abatia, quando era possível recolher, o pupilo de Boelcke só crescia em moral com o povo alemão e com os inimigos admiradores pela sua notável habilidade e intrepidez. Logo em seguida, Manfred Von Richthofen foi condecorado e teve seu próprio esquadrão, o Jasta 11, que comandava com extrema meticulosidade e precisão. 
Os triplanos do Jasta 11 alinhados e Manfred (no grupo à direita).
Motor radial de um Fokker Dr.I do esquadrão
de Manfred, o Jasta 11.
Ao começo de 1917 fez o que lhe rendeu o apelido de Barão Vermelho, ao pintar seu biplano totalmente de vermelho, com a finalidade de se destacar mais e de ser facilmente reconhecido pelo inimigo, o que preocupava seus colegas, que logo decidiram pintar seus aviões com várias cores também. Sendo assim, o Jasta 11 ficou conhecido pelos ingleses como “Circo Voador”.
Biplanos e triplanos do Jasta 11 reunidos em outro panorama. (Reprodução: statsref.com)
Em julho de 1917, tendo sobrevivido a um combate aéreo com um ferimento na cabeça, foi pressionado por seus superiores a se retirar dos combates, tendo em vista que sua reputação era de peso e o Kaiser Guilherme II já pressentia que a morte do barão seria um desastre para a moral do Império.
Manfred (com o curativo devido a seu ferimento na cabeça) e seu pai (Albrecht) em 1917. (Reprodução: frontflieger.de)
Apesar disso, na primavera de 1918, Manfred volta ao cockpit levando seus homens para a batalha. A 21 de abril de 1918 a sorte do Barão chegava ao seu fim, em um combate intenso envolvendo mais de 30 aviões. De repente, avistaram seu avião pousando e, ao chegarem para averiguar, viram Manfred morto por um tiro que atravessou a fuselagem do avião e atingiu seu coração.
Destroços do Fokker DR.I de Manfred. (Reprodução: pierreswesternfront.punt.nl)
O Barão era tido em tão grande estima pelos adversários que, sendo abatido em território inimigo, seu corpo foi levado e enterrado com todas as honras militares pelos ingleses e australianos que o abateram.
Funeral de Manfred feito por britânicos e australianos (visto que tinha caído em território inimigo), com honras militares.
“Lutem e voem até a última gota de sangue, até a última gota de combustível e até o último batimento do coração.”
(Manfred von Richthofen)



Bibliografia:
GUTTMAN, J. Pusher Aces of World War 1. Oxford, UK: Osprey Publishing, 2009.
MCALLISTER, Hayden. Flying Stories. Londres: Octopus Books, 1982.
WRIGHT, N. The Red Baron. Londres: Sidgwick & Jackson, 1976.
BURROWS, W. E. Richthofen: A True History of the Red Baron. Londres: Rupert Hart-Davis, 1970.
CHAMBE, R. No Tempo das Carabinas. São Paulo: Flamboyant, 1961.


Luis Felipe Hammes de Mello CamposGraduando em História pela Universidade Federal Fluminense